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Sobre 8 de janeiro

Fala do Daniel Sousa do podcast Petit Journal sobre a gravidade da tentativa de golpe que aconteceu no Brasil no último dia 8 de janeiro. Começa no minuto 24:42:

Transcrição autogerada do YouTube (editada):

É muito importante deixar registrado aqui que essas pessoas se autointitulam patriotas, mas elas não são patriotas. O que foi feito ontem foi um ataque à República Brasileira. Não foi um ataque ao presidente Lula, não foi um ataque à esquerda, um ataque ao PT. Foi feito um ataque à República Federativa do Brasil.

As pessoas quando atacam os edifícios sede dos Três Poderes, quando rasgam um quadro do Di Cavalcante, quando quebram um relógio que era do Dom João VI, ou então quando implementam realmente a barbárie, na prática, eles estão destruindo elementos de brasilidade, elementos que foram construídos ao longo do tempo independentemente do governo de ocasião.

Quer dizer, existem protocolos, existem objetos, existem símbolos que vão construindo a imagem do que é a república brasileira, do que é ser brasileiro, do que que nós somos, de como nós chegamos até aqui. E essas pessoas atacaram isso.

E em grande medida isso é reflexo de um presidente que por 4 anos não teve apreço ao cargo. Um presidente que não respeitava protocolos e se orgulhava de tal. Protocolos existem não por preciosismo, protocolos existem em todos os lugares do mundo, não porque você quer criar uma barreira, um distanciamento entre o poder e as pessoas comuns, não. Protocolos existem justamente para que haja uma institucionalidade e essa institucionalidade seja fortalecida ao longo do tempo, e que você tenha a criação de uma república.

Então, o que aconteceu no dia de ontem, e isso precisa ficar realmente muito claro, não foi um ataque ao Lula, não foi um ataque ao PT, foi um ataque à República Federativa do Brasil e todos os objetos, todos os edifícios que simbolizam essa República.

Quando você ataca mobiliário no senado, mobiliário que fazia parte do Senado na época do Rio, é porque existe uma linha temporal. Existe uma continuidade. Esses objetos não tão ali por um acaso. Quando você tem aquelas fotografias dos presidentes nos mais diferentes regimes, ditadores, democratas, etc, você diz, olha, nós temos uma história. Nós chegamos aqui de uma determinada maneira. Com problemas, com defeitos, com qualidade, mas existe uma história que precisa ser respeitada. E é isso que foi atacado no dia de ontem.

E é isso que acho que chocou o mundo, porque as pessoas compreendem isso. Compreendem que o ataque não é a uma pessoa especificamente. E me chocou particularmente, Tanguy, a declaração do governador do Distrito Federal quanto ele soltou ali um vídeo pedindo desculpas ao Arthur Lira, pedindo desculpas ao Lula. Não foi a casa do Arthur Lira que foi invadida. Não foi a casa do Lula que foi invadida. É algo muito mais profundo e muito mais grave que aconteceu. E essa pessoalidade no momento como esse eu acho que não contribui, pelo contrário, a impessoalidade seria fundamental para entender a gravidade do que ocorreu no dia de ontem.

Daniel Sousa (Petit Journal: BP 410 – Tentativa de golpe no Brasil: as repercussões)

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